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De volta à Saquarema

Como parte das comemorações dos 20 anos dest’A FOLHA, iniciamos um giro por pontos de nosso litoral com perfil semelhante a Trancoso.

DE VOLTA À SAQUAREMA

No exílio frio de Nova York  eu me consolava rememorando a aragem única de Saquá. Ela não se mostra em Araruama, em Cabo Frio ou em Búzios. É exclusiva da Vila de Na. Sa. De Nazareth.
Comecei a sentí-la nos anos 70, quando passava memoráveis temporadas na acolhedora casa de meu amigo e sócio, o poeta Walmir Ayala. Entre uma e outra empreitada de nosso Teatro de Câmara, nos revitalizávamos no casarão do século XVIII. A amplitude arquitetônica (a maior contribuição portuguesa à nossa cultura) permitia que nos acomodássemos, Walmir, com o afilhado Gustavo e seus inúmeros amigos e eu, com a famíla. Minha filha Kamala Aymara aprendeu a engatinhar, de um modo todo peculiar, no avarandado do quintal.

A praia era a da Vila, a única padaria era a “da esquina”, Itaúna era um lindo deserto e a aragem era a mesma que perdura até hoje, nossa companheira da volta tarde da praia e das animadas mesas de “buraco” noite adentro.

Desde que Walmir subiu aos céus não retornara à Saquarema.

Eis que mais de 20 anos depois o reencontro em espírito em sua própria casa, ocupada pela artista Alice Bessa. A diversidade das imagerias expostas corresponde à dinâmica intrínseca de Walmir, que além de poeta e escritor prolífico (publicou mais de 50 livros), militava como crítico de artes, teatrólogo, jornalista, tradutor e produtor cultural.

FLORES DE SAQUAREMA

*** A Toca do Pastel, na Luis Januário, é um exemplo de como se pode servir bem a bons preços. Sua comida caseira tem qualidade e fartura. De quebra, a simpatia de Genilma.

*** Já na Esquina da Praia, em Itaúna, especialista em frutos do mar, me regalei com um pargo fresquíssimo, a preço de sardinha. Só falta à simpática Eliane aprender que “pinga pingada à garrafa não é retornada”. Não é de bom tom, nem os santos gostam. Se por acaso serviu dose avantajada, melhor para o cliente, que fica mais contente…

*** Também em Itaúna, a pizza do Levi, é precedida de, estas sim, generosas doses de aperitivos com preços nem por isso inflados.

*** Encontrei na DAP Imóveis exemplo de competência profissional: Dejair, auxiliado por Anderson, se esmera em atender aos clientes.

*** Em Saquarema ainda se encontram exemplos de rara confiança, até no comércio. Dinart Nepomuceno, em dúvida quanto ao tipo de bomba hidráulica de que necessitava, foi surpreendido pela proposta do lojista: “O senhor leva, se servir, paga, se não, o senhor devolve”. Coisa de cavalheirismo, esta virtude máscula, tão empanada por trejeitos modernosos.  Dinart, estimulado pela aragem propícia, abre filial de sua ArtyTour, empresa carioca de apoio à Arte, Cultura e Turismo, no Lake’s Shopping.

PRÁ NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ESPINHOS…

Mar de Itaúna, na rua São Rafael, é uma coisa que se diz pousada, mas que deveria se chamar Pocilga de Itaúna. Caí na besteira de alugar uma “kitchinete” de um ser chamado Nilva. Fui ao local fechar o negócio e esta pessoa me garantiu que a entregaria limpa, estando um pouco desarrumada devido ao fato de ela e sua tia estarem morando lá. Ao retornar, já com a família, constatei que a tal limpeza foi muito superficial, estando o WC e a geladeira em estado impróprio para uso civilizado. Relevei, devido ao cansaço da viagem, após exigir limpeza condigna. Dias depois adoeci, talvez pelos miasmas recorrentes do local. A patroa havia retornado ao Rio com o fihote, por imperativo de trabalho. Fui resgatado por meu cunhado que me levou de volta para casa. Ao retornar para buscar o carro, que, febril, deixara em confiança, na frente da pousada, minha mulher encontrou-o com o pneu arriado. Muito estranho pois os havia trocado na véspera da viagem. Mais estranho ainda, foi constatar que uma garrafa de prosecco Dedicato, pérola de feitura italiana, havia sumido da geladeira. Interrogada, o cínico ser teve o desplante de dizer que “só se alguém entrou pelo basculhante do banheiro”. O tal basculhante é tão estreito quanto a qualidade da dita cuja.
O único que se salva na pocilga é o jardineiro Martinho, que se lembra do “tanto que o senhor Walmir Ayala fez pela cidade”…

Os orelhões de Saquarema seguem a mesma desqualidade da pocilga: ou estão quebrados, ou não funcionam. Alô Oi!??

do Rio de Janeiro,, Jorge Mourão

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