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São Jorge do Icatu

SÃO JORGE DO ICATU foi mais uma vez homenageado em Trancoso.

Quarenta e quatro cavaleiros e amazonas escolhidos a dedo, cavalgaram em procissão precedidos por carro de som que alardeava a história e a oração do santo guerreiro na voz de Pedro Bial. O percurso começa no Oratório do Icatu, segue até o Gramado onde os cavaleiros saúdam a Igreja de São João dos Índios e se completa com a volta ao ponto de partida, onde o tradicional cordeiro na brasa é servido. Devotos de toda região vêm rezar e fazer promessas.

VÁRIOS MORADORES não puderam comparecer por causa do surto do que para o povo é dengue e para outros, virose, que é um diagnóstico genérico quando os sintomas se confundem. Assim ficamos todos confusos: os diagnósticos, os sintomas, os doentes que, com febre, pioram com qualquer confusão e até os mosquitos, que, confusos, não sabem se são municipais, estaduais ou federais.

A COELBA, que aparece como campeã de reclamações, atrás até da Embasa, tem tido uma especial desconsideração para Trancoso. Dia desses, a energia elétrica sumiu no início da madrugada e às nove horas a distinta funcionária da estatal ainda informava que “uma equipe já(?!?) ia sair dali a pouco para ir ver o problema de Trancoso”.  Há diversas queixas de contas desproporcionais ao consumo. Ou seja, serviço superfaturado e subprestado.

REPERCUTEM EM TRANCOSO as declarações do Tenente Ceitan em palestras com a comunidade. Revelando conhecimento da composição social local, fez questão de se manifestar no centro e na periferia, no Pararaio e no Mercado Municipal. O tenente enfatizou que todos serão tratados de igual maneira, não importando de quem fosse filho, o que será um progresso imenso; que não irá tolerar uso de drogas, o que pode coibir o abuso em público; promoverá blitzen em lugares suspeitos, sem prejuízo das rondas, naturalmente; revistará cidadãos, tarefa para a qual é necessário grande discernimento. A polícia tem o direito de abordar indivíduos suspeitos, em atitude suspeita ou local idem. Evidentemente não pode exceder os limites da conveniência.

COMO DE HÁBITO, foi apontada a falta de recursos notadamente na questão do alojamento. Est´A FOLHA lança aqui campanha para aquisição de área para construção de instalações residenciais para os efetivos policiais. É bem mais fácil do que socorrer a Varig. Não precisamos dos petrodólares da Venezuela que estão sendo negociados por Ray Nava, suposto filho de Hugo Chavez, o botocudo cupincha de Lula.

POR FALAR EM POLÍTICOS. A nomeação de Noca da Portela para a secretaria de Cultura do Estado do Rio,de Janeiro, faz o samba chegar ao Palácio da Guanabara e as esperanças de novos enredos, ritmos e cadências no trato do patrimônio cultural popular. A Lapa e seu L.O.F.T assim esperam. Pena que Noca  só tenha oito meses para dar à luz mudanças significativas nesta questão tantas vezes abortada.

P´RA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

******* Os ingleses estão chegando em Trancoso. Patrícia Furness, que durante décadas teve a primazia, aprecia a chegada de seus compatriotas. Andrew Wells, recém-chegado, cumpriu a tradição. Chegou, viu, gostou e comprou. Um belo pedaço de praia ao sul dos Coqueiros. Uma firme inglesa de Real State considera chegar a uma cifra de sete dígitos para ter sempre Mar à Vista, a deliciosa pousada de Patrícia, um oásis nada deserto, pleno de jardins e vistas ultramarinas. Por enquanto, ela prefere curtir o fruto de anos de trabalho duro, realizado com recursos próprios.

******* Enquanto empresários ainda não se capacitam, a juventude capta de primeira. Sol´T Lam, antes mesmo de terminar o curso de engenharia civil em Salvador, já se engajou no projeto do C.O.N.A.C – Centro Oscar Niemeyer de Arte & Cultura, a ser implantado no Icatu.

******* Gastronomia de outono: o decano Capim Santo, que merece nota à parte, as massas de Andréa do Pararaio e o novato Carambola, fazem-nos melhores para apreciar as graças da saison.

******* Tavinho Paes, lança no Rio, o tablóide Poema Show, com a participação especial dos Archivos Impossibles by Mourão.

******* Por falar em Archivos Impossibles, a co-produção com Neville d´Almeida da filmagem do bloco Voltar Pra Que, que sai às quintas-feiras de Cinzas, do Beco da Cirrose na Cinelândia, foi exibida no dia 24 de abril, sexto aniversário do bloco, com farta degustação de caldos e pingas.

******* Carlos Figueiredo, nossa erudição de plantão, prepara o lançamento de “Memórias de Um Hóspede”, livro póstumo de Guaraci Rodrigues, o famigerado Guará. A apresentação contará com textos testemunhais das inúmeras pessoas que conviveram com a fera.

******* Remember Fellini: “Você existe apenas naquilo que faz”. Até mais.

MV Bill Matou a Pau
Manoel Ribeiro

Recentemente dois assuntos especialmente esclarecedores e chocantes foram abordados na mídia, com grande destaque. O filme Falcão – Meninos do Tráfico, do rapper e militante social MV Bill, em parceria com Celso Atahide, finalmente exibido no Fantástico, e a reportagem d´O Globo sobre prostituição de menores em várias cidades brasileiras.

Em ambos os casos, há farto material para reflexão sobre a marginalidade na nossa sociedade. Na reportagem d´O Globo de domingo 20/03/06, um
quadro estarrecedor é revelado, a partir da prostituição infantil. Chama especial atenção o caso de pequenas prostitutas de Paranaguá, uma cidade portuária suscetível a ser porta de entrada de doenças sexualmente transmissíveis. Ali, concentram-se marinheiros e caminhoneiros, uma considerável demanda para esse tipo de atividade.

Ainda assim, as profissionais reclamam que o “movimento está fraco”, e que os preços caíram muito. Dos R$ 30,00, para uns míseros R$15,00. Segundo uma depoente, “no fim de noite, o que vier é lucro”.

É espantoso como a oferta suplanta a demanda. O mercado do sexo revela uma situação social inaceitável. A reportagem diz que, em alguns locais, a acirrada concorrência fez baixar drasticamente o preço dos serviços sexuais, chegando ao patamar de R$ 1,99, como nas lojas de quinquilharia dos primeiros tempos do Real. Nessas localidades, foi constatado que crianças, fazem sexo oral pela irrisória quantia de cinqüenta centavos!

Algumas dessas meninas estão nessa, porque são viciadas em crack. Outras é só questão de desamparo mesmo. A pobreza e a falta de oportunidades empurrou a todas para a marginalidade.

Uma pesquisa sobre o perfil das pequenas prostitutas não traz novidades: todas pobres, negras e faveladas. O segundo tema, trata do mesmo assunto, em relação aos meninos. No extraordinário documento/libelo “Falcão”, são desvendadas as condições que permitem que toda uma geração de jovens prefira o risco (ou a certeza) de uma morte prematura a enfrentar os obstáculos e injustiças do dia a dia.

Para os garotos favelados, o mundo do crime é a garantia de uma carreira curta, mas com muito prestígio junto às mulheres e, se tiver sorte e subir na hierarquia da “boca”, uns 5 anos de vida melhor (!?). Depois é a cadeia, a cadeira de rodas ou o cemitério. A meninada que faz a defesa armada do território do tráfico, ensinada pelas perdas sistemáticas de companheiros em combate, sabe muito bem que vão morrer cedo. O dramático é que, ainda assim, eles tomam aquele caminho.

Já faz algum tempo que eu venho implicando com algumas pesquisas acadêmicas que negam uma vinculação mais direta entre pobreza e marginalidade. O que eu tenho observado nas favelas cariocas, nos últimos 12 anos, é que os locais de moradia dos mais pobres, por suas condições específicas, são ambientes onde a marginalidade se constitui numa atraente estratégia de sobrevivência para os jovens.

Não vou contar o filme nem comentá-lo. É um filme para ser visto e ilustra esse entendimento muito melhor do que eu possa expressar em palavras. Mas, se eu tivesse que destacar uma frase síntese de todo o filme, uma frase que refletisse a falta de perspectivas dos garotos pobres, favelados e, na sua maioria, negros, eu destacaria a frase de um deles, cuja trajetória o filme acompanha: “Se eu morrer eu vou descansar. É muito esculacho nessa vida”.

Manoel Ribeiro é urbanista.

Eu comento: No livro homônimo  MV Bill conta que viu três pessoas em cativeiro durante as filmagens e não denunciou à polícia. Piorou quando ele rappeou que os seqüestrados “não eram pessoas de posse e sim do povo”… e “ que a história teve um desfecho feliz”. Vânia Cunha, noticiou n´O DIA que Wellington  Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano, elaborou carta aberta ao tal Bill, alertando que “não há final feliz para a vítima”. Ele sabe do que está falando. Em 1998, ele ficou três meses em cativeiro e teve uma orelha cortada. (JM)

de Trancoso, JORGE O. MOURÃO

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